Psicóloga Eliana Di Sarno

Noiva em Fuga

O filme narra a história de Maggie(Julia Roberts), em suas constantes fugas de seus noivos no altar. Depois de algumas tentativas frustradas de casamento, a história ganha repercussão e chega aos ouvidos do jornalista Ike Graham (Richard Gere), que trata de redigir o artigo sobre a vida de Maggie a partir do relato do ex-noivo, chamando-a de “devoradora de homens”. Maggie, ao ler o artigo resolve responder ao jornal, defendendo-se e também vingando-se do jornalista.

Maggie Carpenter é uma mulher solteira, que está em busca de seu companheiro. Trabalha em uma oficina, que é de seu pai. Suas habilidades artísticas parecem não receber sua atenção e seu cuidado devido.

Apesar de mulher, muitas vezes demonstra ser uma menina: desconhece a si mesma, tanto em suas potencialidades quanto em suas dificuldades!

Ao que parece, Maggie está em um momento de sua vida dificil. A imagem de noiva em fuga torna-se pública pelo artigo de Ike, promovendo, assim, o contato de Maggie consigo mesma. Contato este conflituoso, carregado de rejeição.

O primeiro contato de Maggie com o seu conflito (fuga do casamento) gera nela a necessidade de se defender publicamente: é obrigada a olhar para si mesma

Diante da defesa de Maggie, Ike é demitido. Desempregado, decide provar que estava certo e sai em busca de dados que confirmem sua versão do artigo. Então, parte ao encontro de Maggie, em Hale.

Ainda que ao longo da história o propósito de Ike parece se transformar, ele não toma consciência dessas mudanças e faz sua primeira grande intervenção na vida de Maggie. Essa atuação promove a união de alguns conteúdos inconscientes de Maggie. Ele acaba fornecendo uma ponte simbólica para que essa conscientização aconteça, como, por exemplo, no caso do marido de Peggy. Maggie costumava se relacionar com o marido da amiga de forma sedutora e inconsciente, parecendo esquecer-se de um dia ter sido namorada dele.

Esses aspectos compulsivos da postura de Maggie, foram destacados por Ike, de forma a tornar consciente para ela a postura imatura e que poderia gerar mágoa, em Peggy, já que parece que está flertando com ele.

Quando resolve colaborar com Ike para o conhecimento de sua história, Maggie passa a assumir a responsabilidade pela própria história. Então, leva Ike a conhecer um pouco de sua vida a partir de suas produções artísticas e dos seus anéis de noivado. Ike apresenta um possível pedido de noivado; um dado de realidade

Essa declaração põe Maggie em contato com o que gostaria de ouvir de um noivo. Mais uma vez, Ike, como portador de uma das representações do animus, proporciona o contato com seus sentimentos mais profundos promovendo em Maggie um movimento de reflexão e questionamento.

Ike, ao tomar a defesa de Maggie, e ao admirá-la com o vestido de noiva entra em contato com a mulher que Maggie é. Maggie, neste momento, depara-se com seu valor como mulher.

Percebe-se em Maggie dificuldades em canalizar suas emoções de forma adequada, costuma reagir com raiva diante de situações em que seu conflito é tornado consciente. A raiva é uma reação comum diante da constatação de aspectos incons cientes sinalizados e de difícil conscientização, algo que ela inconscientemente sabe que acontece, mas que pelo sofrimento gerado, prefere não enfrentar o sentimento, projetando em Ike a raiva, como se ele fosse o causador de tudo.

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