Psicóloga Eliana Di Sarno

Mr. Jones

Mr. Jones, Transtorno Bipolar e Neuroquímica

O filme “Mr. Jones” com o Richard Gere é sobre um homem impulsivo e fascinante, que atrai as pessoas com o seu encanto e a sua energia vital. No entanto, por vezes passa bruscamente desse estado de euforia para um enorme desespero. Quando está eufórico é hiper-ativo, alegre e incrivelmente cheio de vida. Isso não significa que ele está no paraíso, no entanto. ataques de fúria, comportamentos altamente excêntricos e uma megalomania exagerada fazem a interação com o mundo “normal” extremamente problemática. Por outro lado, os problemas reais iniciam com a depressão. Não é um simples estado de tristeza, de “estar na fossa” ou de “baixo astral”. É um estado corporal indesejável e constante, acompanhado de mudanças comportamentais que independem da vontade daquele que os experiencia.

Como a maioria dos pacientes com Transtorno Bipolar, a depressão é debilitante, profundamente dolorosa e potencialmente suicida.

A sua psiquiatra, a Dra. Elizabeth Bowen (Lena Olin) está decidida a ajudá-lo. Mas antes que dê por isso, estará profundamente ligado a ele.

Mr. Jones, levantou algumas questões interessantes sobre identidade e como os diferentes estados de ânimo que enfrentamos são determinados por desequilíbrios químicos do cérebro. Até que ponto somos determinados pela nossa neuroquímica? Se tomássemos uma pílula que modificasse os nossos estados de ânimo completamente, deixaríamos de ser nós mesmos? O personagem do filme confronta sua psiquiatra diversas vezes no filme, afirmando que ele não é doente. A "doença" é parte de quem ele é. Você concorda com isso? Claro que poderíamos dizer que na medida em que não consegue interagir com o resto das pessoas, ele pode ser considerado doente. Mas suponha por um momento que pudéssemos "desligar" todos os aspectos negativos da doença, e ficar apenas com o "êxtase". Ele ainda estaria doente? E o que dizer de artistas, o exemplo clássico de pessoas altamente sensíveis emocionalmente? Acho que o conceito de identidade é muito escorregadio, e na medida em que pudermos alterar os nossos cérebros mais radicalmente, ele terá que ser repensado totalmente.
 

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