Psicóloga Eliana Di Sarno

Bicho de Sete Cabeças

Saúde mental, luta antimanicomial, relações familiares

O filme aborda a grande polêmica do processo de socialização com foco no sistema manicomial. Também relata a falta de informação de algumas pessoas sobre o uso de entorpecentes e a falta de diálogo entre pais e filhos. Pai e filho possuem um relacionamento difícil, com um vazio entre eles aumentando cada vez mais.

Neto é um jovem estudante que, como qualquer pessoa dessa faixa etária (não generalizemos, há muitos garotos que não medem os riscos e entram em verdadeiras "frias", mas, há outros que assumem compromissos, investem numa vida saudável, estudam e respeitam os pais), arrisca-se de forma irresponsável em atividades como pichações, viajar com a "galera" para o litoral sem o consentimento dos pais e sem nem ao menos informar aonde está, "transar" sem camisinha e sem conhecer a parceira ou, ainda pior, se envolver com drogas.

Proveniente de uma família de classe média baixa, Neto tem pais esforçados porém, pouco informados e, sujeitos as opiniões alheias. Quando descobre em que situações seu filho se meteu, especialmente, ao encontrar um cigarro de maconha na roupa do rapaz, o pai (vivido pelo experiente Othon Bastos) decide-se pela internação imediata do jovem num sanatório.

Nessa instituição, teoricamente uma das melhores disponíveis na cidade onde se passa a trama, Neto é submetido a situações absurdas como, por exemplo, a tomar medicamentos sem qualquer avaliação prévia pelos médicos responsáveis ou ainda, é submetido a choques e ao convívio com doentes mentais em estágios avançados de enfermidade.

Seus apelos para que os pais o tirem dali são encarados como táticas de um viciado que pagaria qualquer preço para retornar ao convívio com as drogas, o que só faz com que se prolongue sua internação. Quando consegue sair, passa a conviver com o preconceito dos outros e tem dificuldades de readaptação que o levam a incorrer em novos erros e descaminhos, levando-o a nova internação

Como escapar desse vai e vem? Como superar esse círculo vicioso? O que nós podemos fazer (pais, professores, sociedade em geral)?

Sensibilidade é uma das palavras essenciais nessa relação delicada. Compreensão e diálogo também fazem parte do caminho da recuperação. É ver para crer!

Todos os direitos reservados à Elaine de Sarno. Powered by Link e Cérebro