Psicóloga Eliana Di Sarno

Árvore da vida

Na trama somos apresentados aos significados da vida e fé através do decorrer da vida da família texana O’Brien, situada em meados dos anos 50. Intercalando passagens que se propõe a explorar temas surrealistas, representações das fases e origens do planeta Terra, sua significância para o universo e a representação da humanidade para ambos, a obra aproxima-se da jornada de vida do filho mais velho dessa família, Jack, e através das mudanças entre a inocência de sua infância e as desilusões de seus anos adultos, mostra um ser que nada mais é que uma alma perdida no mundo atual, em busca de respostas – para a origem ou significado da vida – questionando a existência de sua fé.

Mas, não há dúvidas sobre a verdadeira inspiração de Jack: seu irmão e companheiro R.L.. Alvo de inúmeros sentimentos, experiências e transtornos durante seu crescimento, passando por momentos companheirismos, abusos, maldades, ciúmes e devoção, ele age como centro de concentração do irmão mais velho da infância até a vida adulta, onde ele ainda busca a compreensão e aceitação de sua morte, que ocorreu aos 19 anos abalando o a família e deixando em fragilizadas a fé e necessidade de fidelidade à Deus devido ao luto.

O contraste do carinho e amor incondicional dos filhos pela mãe – uma relação fortalecida por olhares, brincadeiras e carinhos, seu respeito às ações extremas do comportamento do pai – que causam em Jack confusões, temores e fragilizam seu relacionamento com o progenitor e a lealdade, falta e arrependimentos acerca do irmão, torna-se ainda mais intenso após trechos em que são clamados como que direcionados à Deus os denominativos “Father” e “Brother” – onde percebemos que embora existam gigantes diferenças no relacionamento de Jack com seus irmãos e pai o que pode ser contestado é sua fé, não seu amor por esses – sendo também compreensível a confusão que instala-se em nós quando ouvimos Jack chamar com tanto fervor por “Você” – sem completa definição de se aquilo é uma procura pela proteção da mãe ou uma busca pelo auxílio de Deus.

Quanto à presença do conceito da Árvore da Vida Filogenética, uma forma de representar a evolução dos seres vivos através da representação gráfica das relações evolutivas entre várias espécies, é inegável a concepção de que o planeta, a natureza e vida presentes nele são um organismo complexo e misterioso, apresentado através da constante demonstração dos 4 elementos da natureza envolvidos desde com a família até em presença únicas, provendo impacto devido aos bruscos cortes, a surrealidade dos primórdios da vida, demonstração do envoltório do planeta perante o amplo universo, provando nossa insignificância. Tal beleza consegue ainda ser intensificada através da trilha sonora que apresenta-se como um envoltório para compreensão da maestria de nossa existência, seja ela oriunda de qualquer força maior, colocando a eterna luta da ciência e sobrenatural diante de nossos olhos.

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