Psicóloga Eliana Di Sarno

Terapia Cognitivo Comportamental

A visão teórica da Terapia Cognitiva Comportamental está baseada na idéia de que os sentimentos e os comportamentos do indivíduo são determinados pelo modo como ele estrutura o mundo, suas cognições. Desse modo, o objetivo do terapeuta cognitivo-comportamental é produzir mudanças cognitivas, ou seja, mudanças no pensamento e nas crenças do paciente com o intuito que ocorra mudança emocional e comportamental duradoura. (BECK, 1997).

Através da TCC o paciente pode identificar as distorções cognitivas, corrigi-las e, conseqüentemente, apresentar melhora clínica, ou seja, com a terapia cognitivo-comportamental o paciente re-avalia e corrige seus pensamentos. É ajudado a pensar e a agir de modo mais realista e adaptado sobre seus problemas psicológicos reduzindo seus sintomas.


Quando indicar a Terapia Cognitiva Comportamental

A Terapia Comportamental é útil para tratar praticamente todos os problemas e saúde e comportamento que fazem parte do campo de atuação do psiquiatra ou psicoterapeuta.

Fobias, transtornos ansiosos, transtorno obsessivo-compulsivo, disfunções sexuais, dificuldades de relacionamento interpessoal, reabilitação de doentes crônicos, depressão, transtornos alimentares, problemas de comportamento na infância e adolescência, abuso e dependência de álcool e drogas, hipertensão arterial,cefaléias, etc.


Como trabalha o terapeuta comportamental

Um dos pontos essenciais de uma abordagem terapêutica refere-se à empatia, isto é, o terapeuta deve olhar o mundo do paciente com os olhos do paciente. Isso ocorre quando se entende a história e as crenças da outra pessoa (BECK, 1993, p.33). É necessário ter um interesse genuíno por aquele paciente específico.

O primeiro passo do processo terapêutico nesta abordagem é explicar o modelo cognitivo, o que são pensamentos automáticos e como identificá-los. Ao avaliar se os pensamentos automáticos são funcionais (condizentes com a situação) ou disfuncionais (com conteúdo distorcido), podem-se modificar os últimos, o que leva a um alívio dos sintomas. Ao se aliviar os sintomas o foco principal do tratamento passa ser as crenças (intermediárias e centrais), principalmente aquelas que são disfuncionais. É importante ressaltar que “... a modificação profunda de crenças mais fundamentais torna os pacientes menos propensos a apresentar recaída no futuro” (BECK, 1993). Outro ponto importante para a abordagem cognitivo-comportamental é conceitualizar as dificuldades em termos cognitivos, levando-se em conta alguns aspectos como os descritos por Beck e col. (1993): dados relevantes da infância; problemas da vida atual; crenças centrais; crenças e regras condicionais; estratégias compensatórias; situações vulneráveis; pensamentos automáticos; emoções; comportamentos e integração de todos os outros itens, onde o terapeuta “monta uma história” sobre o paciente baseado em todas as informações levantadas. Para isso é essencial que se realize uma boa entrevista para abordar esses pontos. No primeiro contato com o paciente inicia-se a conceitualização, que é revisada e refinada em todos os contatos. Levantam-se hipóteses baseadas nas informações que o paciente apresenta e estas são confirmadas, modificadas ou descartadas ao longo da terapia. Em determinados momentos o terapeuta pode verificar diretamente suas hipóteses com o paciente. (BECK, 1997).

Diante de uma situação difícil deve-se deixar claro ao paciente que problemas não são situações impossíveis, mas sim soluções inapropriadas para aquela situação, e que o modo como uma determinada pessoa se sente diante de uma situação, está relacionada ao fato como ela interpreta a situação e não à situação em si. Por exemplo, um determinado paciente incomodava-se muito pelo fato de ser chamado de “coisa”, encarava isso com um tom muito pejorativo. Aos poucos, através de uma das técnicas que será relatado posteriormente (questionamento socrático), foi percebendo que a palavra “coisa” tinha um significado muito particular para ele e para o meio em que vivia que fora desse meio “coisa” não significava algo negativo.

Durante o processo terapêutico várias técnicas são ensinadas ao paciente para que ele possa, por exemplo, identificar pensamentos, emoções e situações, resolver problemas, identificar pensamentos automáticos (funcionais e disfuncionais) etc.


BECK, A. T. [et al.] Cognitive Therapy of Substance Abuse. New York, The Guilford Press, 1993.
BECK, J. S. Terapia Cognitiva: Teoria e Prática. Porto Alegre, Ed: Artes Médicas, 1997.
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