Psicóloga Eliana Di Sarno

Distimia

Sabe aquela pessoa mal humorada, insatisfeita, pessimista e que se queixa com frequência que está cansada? Ou que não tem disposição para muita coisa, que parece lhe faltar energia? Ou que se queixa da dificuldade em dormir, vive reclamando da vida ou de qualquer coisa que aconteça ou que deixou de acontecer? Outras vezes, queixa-se das pessoas, é impaciente e briga com alguma facilidade quando contrariada? Pessoas assim são descritas como difíceis de conviver ou com um gênio forte, porém este jeito de ser pode ter outro nome: Distimia.
A distimia é uma forma de depressão crônica, menos intensa do que as chamadas depressões maiores, e faz parte do grupo dos Transtornos do Humor (Akiskal, 2001).
Os sintomas devem durar pelo menos dois anos ou mais para justificar o diagnóstico de distimia, porém as pessoas podem ter curtos períodos de humor normal.
A prevalência da distimia é de aproximadamente 3 a 6% da população em geral e no Brasil existem aproximadamente 5 a 11 milhões de pessoas que sofrem com esse mal (Serreti et al, 1999). Em relação à distribuição entre homens e mulheres a distimia é duas vezes mais comum em mulheres do que em homens e também é mais comum em pessoas solteiras 18-20 (Hayden,Klein 2001). Quando casadas, essas pessoas têm relacionamentos insatisfatórios são poliqueixosas e insatisfeitas com a vida.
Os pacientes com transtorno distímico frequentemente são sarcásticos, niilistas, rabugentos, exigentes e queixosos. Eles podem ser tensos, rígidos, resistentes às intervenções terapêuticas, podem perder o interesse nas atividades diárias normais, se sentir sem esperança, ter baixa produtividade, baixa autoestima e um sentimento geral de inadequação. As pessoas com distimia são consideradas excessivamente críticas, que estão constantemente reclamando e são incapazes de se divertir.
Na Distimia, os sintomas depressivos incomodam o paciente, mas não o impede de exercer suas atividades, apenas faz com que ele tenha que despender um esforço maior que as outras pessoas para realizá-las. Geralmente são sempre queixosas e pra baixo e nada parece ser bom o suficiente para elas, quase não conseguem sentir prazer nas coisas que normalmente as interessava, e por isto têm pouquíssimos interesses. Muitas vezes têm dificuldades com o sono ou com apetite.
 Apesar de o transtorno cursar com um funcionamento social relativamente estável, essa estabilidade é relativa, visto que muitos desses pacientes investem a energia que têm no trabalho, nada sobrando para o prazer e para as atividades familiares e sociais, o que acarreta atrito conjugal característico.
Esses pacientes não procuram ajuda ou suportam por um longo período seus sintomas e geralmente consultam médicos clínicos com queixas mal definidas, como mal-estar, letargia e fadiga. Cerca de 50% desses pacientes não serão reconhecidos pelos clínicos (Akiskal, 2001). O clínico, pouco treinado no diagnóstico de transtornos mentais, não reconhece a depressão e investiga as queixas físicas, como falta de apetite, insônia ou cansaço com as quais tem mais familiaridade. Para o tratamento destas, muitas vezes vão prescrever vitaminas, indutores do sono, tentando tratar cada queixa isoladamente.
A maioria das pessoas com distimia não consegue dizer quando se percebeu deprimido pela primeira vez, isso quando reconhecem seu estado como um problema. E os que sofrem desde a infância ou adolescência tendem a acreditar que esse estado faz parte do seu jeito de ser e por isso não procuram um médico, afinal, conseguem viver quase normalmente.
 Klein et al, 1999 sugere que a distimia de início precoce é uma condição mais severa, podendo resultar em estados mal adaptativos que predispõem ao desenvolvimento de transtornos de personalidade, uso abusivo de álcool/drogas comer compulsivo, comportamentos disfuncionais utilizados como recurso para aliviar seu sofrimento sendo, portanto, uma forma autodestrutiva. Muitos são tratados como alcoólatras, drogados ou obesos, sem levar em conta a depressão de base que os levou a essas doenças.
Estudos mostram que 50 a 60% dos pacientes com distimia respondem ao tratamento com antidepressivos. (Ravindran AV, Anisman H, Merali Z, Charbonneau Y, Telner J, Robert B, et al.,1999).
 Embora os antidepressivos corrijam o distúrbio biológico o tratamento medicamentoso sem terapia não funciona. O paciente precisa aprender novas possibilidades de reagir e estabelecer relações interpessoais mais saudáveis.


Akiskal HS. Dysthymia and cyclothymia in psychiatric practice a century after Kraepelin. J Affect Disord 2001;62:17-31.
Hayden EP, Klein DN. Outcome of dysthymic disorder at 5-year follow-up: the effect of familial psychopathology, early adversity, personality, comorbidity, and chronic
stress. Am J Psychiatry 2001;158:1864-70.
Klein DN. Depressive personality in the relatives of outpatients with dysthymic disorder and episodic majordepressive disorder and normal controls. J Affect Disord 1999;55:19-27.
Ravindran AV, Anisman H, Merali Z, Charbonneau Y, Telner J, Robert B, et al. Treatment of primary dysthymia with group cognitive therapy and pharmacotherapy:clinical symptoms and functional impairments. Am J Psychiatry 1999;156(10):1608-17.


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